Sócrates entendia que a sabedoria e sua consequente verdade estariam na essência
íntima do Homem e não fora dele. Portanto, o Homem deveria buscar dentro de si, na
sua alma ou consciência, aquilo que ele é e o que ele deve fazer, já que a sua razão, ao
conhecer, julga corretamente sobre os seres. Por isso afirma-se que o pensamento de
Sócrates está voltado para o Homem, e seria o primeiro tipo de humanismo na história
do pensamento ocidental. Sócrates nominou de Maiêutica esse procedimento filosófico, ou, como ele a chamava, uma medicina para a alma, o seu parto da verdade ou a arte de “parir o saber”
Realizava seus ensinos em lugares públicos, exclusivamente em Atenas, vagava pelas ruas e praças, na Ágora ou praça central de Atenas, praça pública onde os problemas de interesse coletivo são debatidos, um espaço onde se reuniam os cidadãos para discutir a vida política e decidir sobre as ações a serem tomadas, questionando seus compatrícios sobre os valores e ideais que admitiam ao opinarem sobre o mundo e onde reinava a mais absoluta liberdade de expressão (isegoria). Sendo assim não fundou uma escola.
Não deixou nada escrito, mas seus discipulos relataram seus ensinos, porém existe contradição entre eles.
Percebe-se duas fases na vida de Sócrates. Na primeira fase, ele esteve proximo dos Fisicos, particularmente de Arquelau, que professava urna doutrina semelhante ade Diogenes de Apolônia. Sofrendo a influcncia da Sofistica.
São três as fontes principais sobre Sócrates:
Aristófanes, Xenofonte e Platão.
Aristófanes (que faz uma caricatura de Sócrates), na famosa comedia "As nuvens", representada no ano de 423 (portanto, quando Socrates estava na metade de sua quarta década de vida), tenha apresentado um Sócrates bem diferente do apresentado por Platão e Xenofonte, que é o Sócrates da velhice.
Sócrates nada escreveu, considerando que a sua mensagem era transmissível pela palavra viva, seus discípulos fixaram por escrito uma série de doutrinas a ele atribuídas que freqüentemente e por vezes, até se contradizem. Na maior parte de seus diálogos, Platão idealiza Sócrates e o torna porta-voz também de suas pr6prias doutrinas: desse modo, é dificilimo estabelecer o que é efetivamente de Socrates nesses textos e o que, ao contririo, representa repensamentos e reelaborações de Platão.
Xenofonte apresenta um Socrates com traços distorcidos (certamente, seria impossivel que os atenienses tivessem motivos para condenar a morte um homem como o Socrates descrito por Xenofonte), pois ele diz que Sócrates oferecia sacrifícios aos deuses gregos!
O impacto do pensamento de Sócrates
A partir do momento em que Socrates atua em Atenas, pode-se constatar que a literatura em geral, e particularmente a filosofica, registram uma série de novidades de porte bastante consideravel a ele atribuídas, que depois, no âmbito do helenismo, permaneceriam como aquisições irreverséveis e pontos de referência constantes.
A psique humana- essência do homem
Ao contrário dos pre-socráticos, que se concentraram numa filosofia da natureza, Socrates se concentrou no homem, como os Sofistas, mas, ao contrario deles, soube chegar ao fundo da questão:
Para Sócrates a essência do homem é a sua alma e esta o distingue especificamente de qualquer outra coisa. E por "alma" Socrates entende a nossa razão e a sede de nossa atividade pensante e eticamente operante. Ou seja, a alma é o eu consciente, ou seja, a consciência e a personalidade intelectual e moral. Ele mesmo diz:
A virtude e os Valores em Sócrates.
O termo"virtude" vem do grego denominavam arete', "aquilo que torna uma coisa boa e perfeita naquilo que é; ou, a atividade ou modo de ser que aperfeiçoa cada coisa, fazendo-a ser aquilo que deve ser.
Portanto para ele a "virtude" do homem é aquilo que faz com que a alma seja tal como sua natureza determina que seja, isto é, boa e perfeita. Para ele, esse elemento e a "ciência" ou o "conhecimento", ao passo que o "vicio" ou "ignorância"seria a privação de ciência ou de conhecimento.
Em outras palavras, a propria natureza do homem é sua alma, ou seja, a razão, e as virtudes são aquilo que aperfeiçoa e concretiza plenamente a natureza do homem, ou seja, a razão. Assim as virtudes revelam-se como urna forma de ciência e de conhecimento, precisamente porque é o conhecimento que aperfeiçoa a alma e a razão,
Os verdadeiros valores não são ligados às coisas exteriores, como a riqueza, o poder, a fama, e tampouco os ligados ao corpo, como a vida, o vigor, a saúde física e a beleza, mas somente os valores da alma, que se resumem, todos, no "conhecimento". Os valores tradicionais tornam-se valores somente se forem usados como o "conhecimento" exige, ou seja, em função da alma e de sua virtude; em si mesmos, nem uns nem outros têm valor.
A opinião comum entre os gregos antes de Sócrates (até mesmo a dos Sofistas, que, no entanto, pretendiam ser "mestres da virtude") considerava as diversas virtudes como:
Considerado o patrono da Filosofia, Sócrates de Atenas (470-399 a.C.) viveu o apogeu do século de Péricles (séc. IV e V a.C.), anos em que governou Atenas (de 444 a.C.
a 429 a.C.), bem como foi o período da consolidação da democracia grega, conhecido
como a Idade de Ouro de Atenas ou Período Clássico, época histórica de grande desenvolvimento da cidade de Atenas. O modelo de educação grega com base na ideia do
belo e da capacitação bélica cedeu espaço às exigências do ensino do bem discorrer.
À época, o cidadão grego deveria falar, exprimir, debater e convencer para fazer valer
seus interesses.
Esse período ficou marcado pela Guerra do Peloponeso, um conflito ocorrido
entre as duas principais alianças da Grécia Antiga: a Liga de Delos e a Liga do
Peloponeso, comandadas, respectivamente, pelas cidades-estados Atenas e Esparta,
entre os anos de 431 e 404 a.C., registradas pelo historiador Tucídides em “História
da Guerra do Peloponeso”.
Realizava seus ensinos em lugares públicos, exclusivamente em Atenas, vagava pelas ruas e praças, na Ágora ou praça central de Atenas, praça pública onde os problemas de interesse coletivo são debatidos, um espaço onde se reuniam os cidadãos para discutir a vida política e decidir sobre as ações a serem tomadas, questionando seus compatrícios sobre os valores e ideais que admitiam ao opinarem sobre o mundo e onde reinava a mais absoluta liberdade de expressão (isegoria). Sendo assim não fundou uma escola.
Não deixou nada escrito, mas seus discipulos relataram seus ensinos, porém existe contradição entre eles.
Percebe-se duas fases na vida de Sócrates. Na primeira fase, ele esteve proximo dos Fisicos, particularmente de Arquelau, que professava urna doutrina semelhante ade Diogenes de Apolônia. Sofrendo a influcncia da Sofistica.
São três as fontes principais sobre Sócrates:
Aristófanes, Xenofonte e Platão.
Aristófanes (que faz uma caricatura de Sócrates), na famosa comedia "As nuvens", representada no ano de 423 (portanto, quando Socrates estava na metade de sua quarta década de vida), tenha apresentado um Sócrates bem diferente do apresentado por Platão e Xenofonte, que é o Sócrates da velhice.
Sócrates nada escreveu, considerando que a sua mensagem era transmissível pela palavra viva, seus discípulos fixaram por escrito uma série de doutrinas a ele atribuídas que freqüentemente e por vezes, até se contradizem. Na maior parte de seus diálogos, Platão idealiza Sócrates e o torna porta-voz também de suas pr6prias doutrinas: desse modo, é dificilimo estabelecer o que é efetivamente de Socrates nesses textos e o que, ao contririo, representa repensamentos e reelaborações de Platão.
Xenofonte apresenta um Socrates com traços distorcidos (certamente, seria impossivel que os atenienses tivessem motivos para condenar a morte um homem como o Socrates descrito por Xenofonte), pois ele diz que Sócrates oferecia sacrifícios aos deuses gregos!
O impacto do pensamento de Sócrates
A partir do momento em que Socrates atua em Atenas, pode-se constatar que a literatura em geral, e particularmente a filosofica, registram uma série de novidades de porte bastante consideravel a ele atribuídas, que depois, no âmbito do helenismo, permaneceriam como aquisições irreverséveis e pontos de referência constantes.
A psique humana- essência do homem
Ao contrário dos pre-socráticos, que se concentraram numa filosofia da natureza, Socrates se concentrou no homem, como os Sofistas, mas, ao contrario deles, soube chegar ao fundo da questão:
"Na verdade, atenienses, por nenhuma outra razão eu granjeei este nome senão por causa de certa sabedoria. E que sabedoria é essa? Essa sabedoria é precisamente a sabedoria humana (ou seja, a sabedoria que o homem pode ter sobre o homem), e pode ser que, dessa sabedoria, eu seja realmente sábio."
Para Sócrates a essência do homem é a sua alma e esta o distingue especificamente de qualquer outra coisa. E por "alma" Socrates entende a nossa razão e a sede de nossa atividade pensante e eticamente operante. Ou seja, a alma é o eu consciente, ou seja, a consciência e a personalidade intelectual e moral. Ele mesmo diz:
"Que esta (...) C a ordem de Deus; e estou persuadido de que não é para vós maior bem na cidade do que esta minha obediência a Deus. Na verdade, não é outra coisa o que fago nestas minhas andanqas a não ser persuadir a vos, jovens e velhos, de que não deveis cuidar do corpo, nem das riquezas, nem de qualquer outra coisa antes e mais do que da alma, de modo que ela se torne otima e virtuosissima; e de que não é das riquezas que nasce a virtude, mas da virtude nascem a riqueza e todas as outras coisas que são bens para os homens, tanto individualmente para os cidadãos como para o Estado." (Apologia de Sócrates)
A virtude e os Valores em Sócrates.
O termo"virtude" vem do grego denominavam arete', "aquilo que torna uma coisa boa e perfeita naquilo que é; ou, a atividade ou modo de ser que aperfeiçoa cada coisa, fazendo-a ser aquilo que deve ser.
Portanto para ele a "virtude" do homem é aquilo que faz com que a alma seja tal como sua natureza determina que seja, isto é, boa e perfeita. Para ele, esse elemento e a "ciência" ou o "conhecimento", ao passo que o "vicio" ou "ignorância"seria a privação de ciência ou de conhecimento.
Em outras palavras, a propria natureza do homem é sua alma, ou seja, a razão, e as virtudes são aquilo que aperfeiçoa e concretiza plenamente a natureza do homem, ou seja, a razão. Assim as virtudes revelam-se como urna forma de ciência e de conhecimento, precisamente porque é o conhecimento que aperfeiçoa a alma e a razão,
Os verdadeiros valores não são ligados às coisas exteriores, como a riqueza, o poder, a fama, e tampouco os ligados ao corpo, como a vida, o vigor, a saúde física e a beleza, mas somente os valores da alma, que se resumem, todos, no "conhecimento". Os valores tradicionais tornam-se valores somente se forem usados como o "conhecimento" exige, ou seja, em função da alma e de sua virtude; em si mesmos, nem uns nem outros têm valor.
A opinião comum entre os gregos antes de Sócrates (até mesmo a dos Sofistas, que, no entanto, pretendiam ser "mestres da virtude") considerava as diversas virtudes como:
- uma pluralidade (uma coisa é a "justiça", outra a "santidade", outra a "prudência, outra a "temperança", outra a "sabedoria"), mas da qual não sabiam captar o nexo essencial, ou seja, aquele algo que faz com que as diversas virtudes sejam urna unidade (algo que faça precisamente com que todas e cada urna sejam "virtudes").
- viam as diversas virtudes como coisas fundadas nos hábitos, no costume e nas convenções aceitas pela sociedade.
O termo é calhado com aquilo que consente uma pessoa viver bem
ou de forma bem-sucedida, estaria ligado à noção de cumprimento do propósito ou da
função a qual o indivíduo se alvitra, e a ela estariam associados dois sentidos importantes
e conjugados, um primeiro que envolve um componente social, e um segundo que
envolve um componente ético, os quais por vezes são visivelmente distinguidos, e em
outros momentos, confundidos. A partir do século IV a.C., o conceito de Areté se
estendeu ao ser acrescentado com a dikaiosyne (justiça) e a sophrosyne (a moderação
e o autocontrole), conceitos assumidos por Platão.
Na era socrática e da sofística, orgânica e independente, Atenas se destacou pela análise do problema antropológico ao passar da educação para a pedagogia, um saber autônomo, sistemático, rigoroso. Assim, nasceu a educação epistêmica, conhecimento verdadeiro, de natureza científica, em oposição à opinião infundada ou irrefletida, e não mais como éthos, conjunto dos costumes e hábitos fundamentais, no âmbito do comportamento e da cultura, característicos de determinada época ou região, e como práxis, conduta ou ação, correspondente a uma atividade prática em oposição à teoria, na qual o governo democrático transformaria culturalmente seus habitantes, em indivíduos capacitados a tomar parte nas decisões democráticas da pólis por meio da Paideia (século V a.C.), fazendo com que o centro de interesse passasse da natureza para o próprio Homem de carne e ossos. A Paideia surgiu em um momento em que Atenas requisitava a formação do homem cidadão, algo mais complexo que a educação instituída, que era fundeada na ginástica, na música e na gramática. O objetivo na Paideia era fazer com que a criança se tornasse um adulto idôneo, que atingisse a perfeição espiritual, tal a se constituir de um ser do mais alto valor, seria a formação da perfeição humana, no entanto: "Não se pode utilizar a história da palavra paideia como fio condutor para estudar a origem da educação grega, porque esta palavra só aparece no século V" (JAEGER, 1986, p. 25).
Na era socrática e da sofística, orgânica e independente, Atenas se destacou pela análise do problema antropológico ao passar da educação para a pedagogia, um saber autônomo, sistemático, rigoroso. Assim, nasceu a educação epistêmica, conhecimento verdadeiro, de natureza científica, em oposição à opinião infundada ou irrefletida, e não mais como éthos, conjunto dos costumes e hábitos fundamentais, no âmbito do comportamento e da cultura, característicos de determinada época ou região, e como práxis, conduta ou ação, correspondente a uma atividade prática em oposição à teoria, na qual o governo democrático transformaria culturalmente seus habitantes, em indivíduos capacitados a tomar parte nas decisões democráticas da pólis por meio da Paideia (século V a.C.), fazendo com que o centro de interesse passasse da natureza para o próprio Homem de carne e ossos. A Paideia surgiu em um momento em que Atenas requisitava a formação do homem cidadão, algo mais complexo que a educação instituída, que era fundeada na ginástica, na música e na gramática. O objetivo na Paideia era fazer com que a criança se tornasse um adulto idôneo, que atingisse a perfeição espiritual, tal a se constituir de um ser do mais alto valor, seria a formação da perfeição humana, no entanto: "Não se pode utilizar a história da palavra paideia como fio condutor para estudar a origem da educação grega, porque esta palavra só aparece no século V" (JAEGER, 1986, p. 25).
O fundamento do erro e da virtude
1) A virtude (cada urna e todas as virtudes: sabedoria, justiça, fortaleza, temperança) é o conhecimento.
2) Ninguém era voluntariamente; quem faz o mal, fa-lo por ignorância do bem. Na realidade faz a coisa errada, mas porque espera extrair dela um bem.
1) A virtude (cada urna e todas as virtudes: sabedoria, justiça, fortaleza, temperança) é o conhecimento.
2) Ninguém era voluntariamente; quem faz o mal, fa-lo por ignorância do bem. Na realidade faz a coisa errada, mas porque espera extrair dela um bem.
Política
Sócrates defendia um sistema moral
categoricamente alheio às doutrinas religiosas de então, admitindo, entre outros, a Aristocracia ou o governo dos melhores como a melhor forma de administração do Estado
Avaliação da Tese de Sócrates sobre o erro, o vício e o pecado:
Sócrates despreza a vontade e minimiza o poder dos impulsos pecaminosos, que é diferente de desejo, pois a vontade diz respeito ao arbítrio do homem. Uma pessoa mesmo sabendo que algo é errado, e que o mal advindo, depois do prazer, não compensa o prazer momentâneo, mesmo assim decide pelo erro.O que faz com que o conhecimento não é condição suficiente para a escolha certa, mas é uma condição necessária.
Giovanni Reale fala da deficiência do pensamento de Sócrates em relação ao Cristianismo:
"Sócrates tem perfeitamente razão quando diz que o conhecimento é condição necessária para fazer o bem (porque, se não conhecermos o bem, não poderemos fazê-lo), mas está engando ao considerar que, alma de condição necessária, seja também condição suficiente. Em suma, Sócrates s cai em excesso de racionalismo. Com efeito, para fazer o bem também é necessário o concurso da "vontade". Mas os filósofos gregos não detiveram sua atenção na "vontade", que se tornaria central e essencial na Ètica dos cristãos. Para Sócrates, por conseguinte, e impossível dizer "vejo e aprovo o melhor, mas no agir me atenho ao pior", porque quem vê o melhor necessariamente também o faz. Em consequência, para Sócrates, como para quase todos os filósofos gregos, o pecado se reduz a um "erro de cálculo", a um "erro de razão", justamente a "ignorância do verdadeiro bem. " (História da filosofia - vol 1. Giovanni Reale. São Paulo: Paulus, 2014, p. 90)
A liberdade em Sócrates
Sócrates considerava o domínio próprio como a base da virtude, cada homem deveria procurar alcançar. Substancialmente, o autodomínio significa domínio da própria racionalidade sobre a própria animalidade, significa tornar a alma senhora do corpo e dos instintos ligados ao corpo. O verdadeiro homem livre é aquele que sabe dominar seus instintos, o verdadeiro homem escravo é aquele que, não sabendo dominar seus instintos, torna-se vítima deles.
A felicidade
Como para Sócrates a essência do homem é sua alma, sua razão, a virtude se baseia no domínio próprio, em fazer o bem, e fazer o bem conduz á felicidade:
Portanto para ele a "virtude" do homem é aquilo que faz com que a alma seja tal como sua natureza determina que seja, isto é, boa e perfeita. Assim como a doença e a dor física sio desordem do corpo, a saúde da alma é ordem da alma, e essa ordem espiritual ou harmonia interior é a felicidade.
A divindade segundo Sócrates
Sócrates despreza a vontade e minimiza o poder dos impulsos pecaminosos, que é diferente de desejo, pois a vontade diz respeito ao arbítrio do homem. Uma pessoa mesmo sabendo que algo é errado, e que o mal advindo, depois do prazer, não compensa o prazer momentâneo, mesmo assim decide pelo erro.O que faz com que o conhecimento não é condição suficiente para a escolha certa, mas é uma condição necessária.
Giovanni Reale fala da deficiência do pensamento de Sócrates em relação ao Cristianismo:
"Sócrates tem perfeitamente razão quando diz que o conhecimento é condição necessária para fazer o bem (porque, se não conhecermos o bem, não poderemos fazê-lo), mas está engando ao considerar que, alma de condição necessária, seja também condição suficiente. Em suma, Sócrates s cai em excesso de racionalismo. Com efeito, para fazer o bem também é necessário o concurso da "vontade". Mas os filósofos gregos não detiveram sua atenção na "vontade", que se tornaria central e essencial na Ètica dos cristãos. Para Sócrates, por conseguinte, e impossível dizer "vejo e aprovo o melhor, mas no agir me atenho ao pior", porque quem vê o melhor necessariamente também o faz. Em consequência, para Sócrates, como para quase todos os filósofos gregos, o pecado se reduz a um "erro de cálculo", a um "erro de razão", justamente a "ignorância do verdadeiro bem. " (História da filosofia - vol 1. Giovanni Reale. São Paulo: Paulus, 2014, p. 90)
A liberdade em Sócrates
Sócrates considerava o domínio próprio como a base da virtude, cada homem deveria procurar alcançar. Substancialmente, o autodomínio significa domínio da própria racionalidade sobre a própria animalidade, significa tornar a alma senhora do corpo e dos instintos ligados ao corpo. O verdadeiro homem livre é aquele que sabe dominar seus instintos, o verdadeiro homem escravo é aquele que, não sabendo dominar seus instintos, torna-se vítima deles.
A felicidade
Como para Sócrates a essência do homem é sua alma, sua razão, a virtude se baseia no domínio próprio, em fazer o bem, e fazer o bem conduz á felicidade:
"Para mim, quem é virtuoso, seja homem ou mulher, é feliz, ao passo que o injusto e malvado é infeliz".
Portanto para ele a "virtude" do homem é aquilo que faz com que a alma seja tal como sua natureza determina que seja, isto é, boa e perfeita. Assim como a doença e a dor física sio desordem do corpo, a saúde da alma é ordem da alma, e essa ordem espiritual ou harmonia interior é a felicidade.
Sendo assim, segundo Sócrates, o homem virtuoso entendido nesse sentido "não pode sofrer nenhum mal, nem na vida, nem na morte". Nem na vida, porque os outros podem danificar-lhe os haveres ou o corpo, mas não arruinar-lhe a harmonia interior e a ordem da alma. Nem na morte, porque, se existe um além. o virtuoso será premiado; se não existe, ele já viveu bem no aquém, e o além é como um ser no nada. De qualquer forma, Sócrates possuia firme convic- çõ de que a virtude já tem o seu prêmio em si mesma, isto e, intrinsecamente. Portanto, vale a pena ser virtuoso, porque a própria virtude ja constitui um fim. E. sendo assim. para Sócrates o homem pode ser feliz nesta vida, quaisquer que sejam as circunstâncias em que Ihe cabe viver e seja qual for a situação no além. O homem é o verdadeiro artifice . . de sua propria felicidade ou infelicidade." (História da filosofia- vol 1. Giovanni Reale. São Paulo: Paulus, 2014, p. 92)
A divindade segundo Sócrates
"Ele não acreditava nos deuses da cidade porque acreditava num Deus superior e corrompia os jovens porque lhes ensinava essa doutrina" (História da filosofia- vol 1. Giovanni Reale. São Paulo: Paulus, 2014, p. 92)
"E qual era a concepção de Deus que Sócrates ensinava, a ponto de oferecer a seus inimigos o pretexto para condená-lo i morte, ji que era contraria aos "deuses em que a cidade acreditava"? Era a concepgção indiretamente preparada pelos filósofos naturalistas, culminando no pensamento de Anaxágoras e de Diógenes de Apolônia: o Deus-inteligência ordenadora. Sócrates, porém, desliga essa concepção dos pressupostos próprios desses filosofos (sobretudo de Diogenes), "desfisicizando-a" e deslocando-a para um plano o mais possivel afastado dos pressupostos próprios da "filosofia da natureza" anterior.(História da filosofia- vol 1. Giovanni Reale. São Paulo: Paulus, 2014, p. 93)
Xenofonte nos informa amplamente. Eis o raciocinio registrado nos Memorabilia, que constitui a primeira prova racional da existtncia de Deus que chegou at6 nos e que constituiri a base de todas as provas posteriores. a) Aquilo que nHo C simples obra do acaso, mas constituido para alcan~ar um objetivo e um fim, pressupoe uma intelighcia que o produziu por raz6es evidentes. Ademais, observando particularmente o homem, notamos que cada um e todos os seus org8os estHo constituidos de tal mod0 que niio podem ser absolutamente expliciveis como obra do acaso, mas apenas como obra de uma inteligtncia que idealizou expressamente essa constituigiio. b) Contra esse argumento, poder-se-ia objetar que, ao contririo dos artifices terrenos, que podem ser vistos ao lado de suas obras, essa Intelighcia niio se vi. Todavia - observa Socrates - tal objeqio n8o se sustenta, porque nossa alma (= inteligtncia) tambim n5o se v2 e, mesmo assim, ninguim ousa afirmar que, pelo fato de a alma (= intelig2ncia) nao ser vista, tambtm nio existe, e que fazemos ao acaso (= sem inteligtncia) tudo o que fazemos. c) Por fim, segundo Sbcrates, 6 possivel estabelecer, com base nos priviligios que o homem tem em relag50 a todos os outros seres (como, por exemplo, a estrutura fisica mais perfeita e, sobretudo, a posse de alma e de inteligtncia), que o artifice divino cuidou do homem de mod0 inteiramente particular.
0 Deus de Socrates, portanto, é a inteligtncia que conhece todas as coisas sem exceção e é atividade ordenadora e ProvidEncia. E uma Providtncia, porim, que se ocupa do mundo e dos homens em geral, como tambim do homem virtuoso em particular (para a mentalidade antiga, o semelhante tem comunhao com o semelhante, raz5o pela qua1 Deus tem comunh5o estrutural com o bom), mas n50 do homem individualmente enquanto tal (e menos ainda do homem mau). Somente no pensamento cristao 6 que loo Terceira parte - A descobevta do hornern surgiria uma Providcncia que se ocupa com o individuo enquanto tal.
A reencarnação
"Sendo então a alma imortal e tendo nascido muitas vezes, e tendo visto tanto as coisas aqui quanto as no Hades, enfim todas as coisas, não há o que não tenha aprendido; de modo que não é nada de admirar, tanto com respeito à virtude quanto ao demais, ser possível a ela rememorar aquelas coisas justamente que já antes conhecia." (Mênon, 81c 5-9).
Crítica:
Sócrates defendeu a teoria da reencarnação de conceitos da religião órfica e dos pitagóricos, via o corpo como não pertencendo a natureza humana, num dualismo. Sua teoria da reminiscência das ideias não é filosoficamente necessária.Bibliografia consultada
História da filosofia- vol. 1. Giovanni Reale. São Paulo: Paulus, 2014.
História da filosofia- vol. 1. Giovanni Reale. São Paulo: Paulus, 2014.
História da Filosofia Antiga- Cruzeiro do Sul virtual- Prof. Dr. Antonio Auresnedi Minghetti.
