- dividiu a filosofia em três partes: lógica ,física , e ética .
- a lógica como um instrumento e não como um fim em si mesmo;
- a felicidade humana como produto da vida segundo a natureza;
- a teoria física fornece os meios pelos quais as ações corretas devem ser determinadas;
- a percepção como base de certos conhecimentos;
- o sábio como modelo de excelência humana;
- as formas platônicas — as entidades abstratas das quais "participam" coisas do mesmo gênero — como sendo irreais;
- conhecimento verdadeiro como sempre acompanhado de assentimento;
- a substancia fundamental de todas as coisas existentes como sendo um fogo divino, cujos princípios universais são (1) passivo (matéria) e (2) ativo (razão inerente à matéria);
- crença em uma conflagração e renovação mundial;
- crença na corporeidade de todas as coisas;
- crença na causalidade predestinada que liga necessariamente todas as coisas;
- cosmopolitismo , ou visão cultural que transcende lealdades mais estreitas; e a obrigação, ou dever, de escolher apenas os atos que estão de acordo com a natureza, sendo indiferentes todos os outros atos.
- crença no panteísmo e negação da transcendência
No fim do século IV a.C., a pouco mais de um lustro da fundação do "Jardim", nascia em Atenas outra escola, destinada a tornar-se a mais famosa da época helenística. Seu fundador foi um jovem de raça semítica, Zenão, nascido em Cítio, na ilha de Chipre, por volta de 333/332 a.C. e que se transferiu para Atenas em 312/311 a. C., atraído pela filosofia.
Guia-me, ó Júpiter, e tu, Destino, ao fim,qualquer que este seja, que vos praza assinalar-me.Seguirei imediatamente, pois se me atraso,por ser vil, mesmo assim deverei alcançar-vos.
O ideal estoico é inatingível, uma ilusão pois visa erradicar as paixões e alcançar a impassibilidade (apatheia), a ataraxia que é o apaziguamento das agitações da alma (que advém das paixões) ou a fuga delas.
O estoicismo dizia que os sentimentos e os afetos, que eles reduzem às “paixões”, não são naturais. Zenão definia a paixão, considerada em si mesma, como “o movimento da alma irracional e contrária à natureza ou ainda uma impulsão excessiva”. Ou ainda: “o distúrbio, que ele chama de pathos, é um movimento da alma que se afasta da razão direita e que é contrário à natureza” Cícero. Tusculanas, IV, VI.
Somente uma alma sem paixão pode fazer os homens perfeitamente felizes, ao passo que uma alma agitada, arrastada para longe de uma razão completa e segura, perde não apenas o acordo consigo mesma, mas também a saúde. A felicidade só pode vir de uma vida em conformidade com o logos, uma vida sem paixões, sem agitações da alma, devendo decorrer segundo o curso dos acontecimentos, o Destino. Neste radicalismo prescreviam o sexo somente para procriação, o que é contrário a natureza pois a fertilidade da mulher é um período curto e o prazer sexual é um dos mais intensos, além disso a Bíblia não diz que o sexo deve ser feito só com finalidade reprodutora. http://averacidadedafecrista.blogspot.com/2018/05/teologia-da-sexualidade.html
Prova da Existência de Deus de Cleantes
Sexto Empírico AM 9.88-91 Pearson C 51; SVF 1.529a; BS 12.15
°° // {{ Cleantes assim raciocinava: se existe uma natureza superior à natureza, deveria haver uma natureza excelente; se existe uma alma superior à alma, deveria haver uma alma excelente. E se do mesmo modo existe um animal superior, deveria haver um animal poderosíssimo. Pois esses raciocínios não procedem por natureza ao infinito. Portanto, assim como a natureza não pode aumentar, pelo critério de superioridade, até o infinito, nem o pode a alma, tampouco o animal.
§89 Entretanto de fato um animal é superior a outro, por exemplo o cavalo à tartaruga, e o touro ao asno e o leão ao touro. O ser humano se eleva e predomina sobre quase todos os animais terrestres seja pelas disposições corporais seja pelos anímicas. Nesse sentido seria o animal mais poderoso e o melhor.
§90 Todavia o ser humano não pode ser o mais poderoso em sentido absoluto, por exemplo constantemente porque todo o tempo é frequente no vício, e se não todo, a maior parte dele (pois também se alguma vez conquistaria a virtude , seria tardiamente , e a conquista próximo ao ocaso da vida). Ele é perecível e débil, precisando de mil auxílios, tais como de comida e de roupas e dos demais cuidados corporais, essa espécie de tirano amargo que nos é imposto e cobrando dia após dia seu tributo, e se não o provemos sob forma de banhos e ungüentos e vestimentas e alimentos, é ameaçado pelas doenças e pela morte. Desse modo o ser humano não é perfeito, é imperfeito e distando muito da perfeição.
§91 O animal perfeito e excelente seria superior ao homem e abundaria em todas as virtudes e não albergando nenhum dos vícios. Mas isso não diferirá de deus. Há, portanto, deus.}}\\°°
Crítica:
Essa prova da existência de deus elimina os deuses do politeísmo que são dependentes de muitas coisas e não são perfeitos. Se de fato essa prova foi escrita por Cleantes ele deveria se referir a deus como a parte RACIONAL do universo, a menos que negasse o panteísmo testemunhado de todas as fontes que o cita.
Vejamos abaixo:
Origem da crença nos deuses segundo Cleantes citado por Cícero
Cicero. ND 3.16.1-7 Pearson C 52b; SVF 1.528b; Watanabe f 49(a²)
ʬ pois Cleantes, como dizias, considera que as noções de deuses eram formadas na mente dos homens de quatro maneiras. Uma maneira é – a respeito dela falei bastante – pelo reconhecimento a partir do pressentimento das coisas futuras. Outra a partir dos temores causados pelas tempestades e outras intempéries. Terceira a partir dos benefícios e da abundância de recursos que constatamos. Quarta a partir da ordem dos astros e da constância do céu. ʬ \\ °°
Deus citado por Diógenes Lucrécio segundo Cleantes
DL 7.135.9-136.1 SVF 1.102b; 2.580; LS 46B; BS 15.3; ad SVF Cleanthis physicam et theologiam (9)
// // [[ {{ São um o deus, a inteligência, o destino e Zeus; e com muitas outras denominações é denominado. §136 No começo ele existe por si mesmo; ele fez toda a substância transformar-se em água, passando pelo ar. E assim como na geração dos seres vivos a semente é esparsa em um meio úmido, do mesmo modo deus, que é a razão seminal do universo, deixando para trás no úmido, é agente que adapta a matéria a seus desígnios em prol da etapa seguinte da criação. Então ele gerou primeiramente os quatro elementos, fogo, água, ar e terra. ]] Zenão os discute em seu “Sobre o Todo” \\, assim como Crisipo no primeiro livro de sua “Física” e como Arquedemo em seu “Sobre os elementos”. Um elemento é o item primeiro a partir do qual cada coisa vem a ser, e o último em que cada uma se resolve.
§137 A junção dos quatro elementos constitui a substância não qualificada, a matéria. O fogo é o quente, a água, o úmido, o ar é o frio, a terra, o seco. Com efeito essa mesma parte, ou seja o seco, também está no ar. O fogo está, portanto, no local mais elevado, o qual é chamado “éter” também, no qual a primeira esfera das estrelas fixas foi gerada. Em seguida vem a esfera dos planetas. Depois está a camada de ar, então a água, e sob todas elas sedimentada a terra, que está no centro.. \\ }}
Deus/panteísmo citado por Cícero segundo Cleantes
Cic. ND 1.36.6-41.9 Pearson C 14b, 15a,16b, 17, 46; SVF 1.530, 1.531b, 1.532b, 1.534a; LS 54B; Watanabe f 51A; BS 17.1
… {{ porém em outro lugar (Zenão diz que o éter é deus: se é que se pode compreender um deus sem sensação, que nunca se apresenta a nós nem com preces, com súplicas ou votos. No entanto, em outros livros ele acredita que uma certa razão, que permeia toda a natureza, é tocada por uma força divina. Ele mesmo atribui a mesma coisa aos astros, depois aos anos, meses, às estações dos anos. Na verdade, quando interpreta a Teogonia , ou seja, a “origem dos deuses” , de Hesíodo, rejeita totalmente os conhecimentos usuais e concebidas dos deuses. Pois ele não admite no grupo dos deuses nem Júpiter, nem Juno, nem Vesta, nem qualquer dos que são denominados assim, senão que ensina serem esses nomes atribuíveis a coisas inanimadas e carentes de linguagem em §37 virtude de seu significado. O pensamento de seu discípulo Aríston não se vê longe de um enorme equívoco, pois ele estima que não se pode inteligir a forma de deus e nem admite haver sensação nos deuses e duvida absolutamente se deus é animado ou não. °° // ʬCleantes, porém, que foi discípulo de Zenão, pensa o mesmo que esse que acabei de nomear (Aríston). Então diz que o universo mesmo é deus, °° °°// depois atribui esse nome à mente e à alma de toda a natureza, \\ºº °°// em seguida julga ser deus indubitável o ardor mais elevado e alto, por toda parte difundido e extremo, abrangendo e abraçando todas as coisas, a que se denomina 'éter'; \\°° °° de mesmo modo como que delirando em seus livros, os quais escreveu contra o prazer, então inventa uma forma e aspecto dos deuses, então atribui a absoluta divindidade aos astros, °° // por fim acredita não haver nada mais divino do que a razão.\\ \\ °° °° E assim se faz com que desapareça por completo aquele deus, a quem conhecemos com a mente e queremos que corresponda na alma a uma noção tal qual um vestígio.ʬ
§38 E Perseu, por sua vez outro ouvinte de Zenão, (diz que) são considerados deuses aqueles graças a quem alguma grande utilidade para o aprimoramento da vida é descoberta, e que as próprias coisas úteis e salutares são chamadas com nomes divinos, de modo a não dizer nem que elas são descobertas divinas, senão que são elas mesmas divinas. Mas o que haveria de mais absurdo do que conceder honras divinas a coisas sórdidas e deformadas ou fazer corresponder a deuses os homens já desaparecidos pela morte, cujo culto típico se consumaria em um
§39 funeral? Pois bem Crisipo, que dentre estóicos é considerado o intérprete dos sonhos mais sagaz, amontoa uma grande turba de deuses desconhecidos, e tão desconhecidos que nem sequer uma conjectura podemos formular, ao mesmo tempo em que nossa mente é capaz de reproduzir pelo pensamento o que quer que ela veja. [[Com efeito, ele afirma estar a força divina na razão e na alma e mente da natureza universal. Ele diz que deus é o próprio mundo e a difusão universal de sua alma. Depois (ele diz) que é seu próprio hêgemonikón, natureza comum e universal das coisas e abrangendo tudo, pois (ele) opera na mente e na razão. Em seguida, (que deus é) o vulto do destino e a necessidade das coisas futuras. Além disso ele vê como ígneo o éter de que falei antes, e também aquelas coisas que por natureza fluem e manam, por exemplo tanto a água, como a terra, como o ar, o Sol, a Lua, as estrelas e o conjunto das coisas no qual todas elas estão contidas, assim como aqueles homens que conseguiram atingir §40 a imortalidade. ]]
Igualmente argumenta que o que os homens chamam de Júpiter é o éter, e que Netuno é o ar que se difunde através do mar, a terra é o que se dirá “Ceres”, com uma razão semelhante ele investiga os nomes dos demais deuses. Igualmente ele diz ser Júpiter a força da lei perpétua e eterna, a qual é como um guia da vida e uma mestra para as ações devidas, a essa ele chama também de “necessidade do destino” e “sempiterna verdade das coisas futuras”. Dessas coisas nenhuma é tal que pareça possuir a força divina
§41 inerentemente. E esse é de fato o assunto no primeiro livro “Sobre a natureza dos deuses”, no segundo, por outro lado, deseja tornar compatíveis os cantos de Orfeu, Museu, Hesíodo e Homero e as doutrinas que ele mesmo apresentara no primeiro livro sobre os deuses imortais, de modo que os poetas mais antigos – que decerto não teriam a menor supeita do que ele tratava – parecessem estóicos. Diógenes da Babilônia, seguindo essa mesma trilha, no livro que escreveu “Sobre Minerva” separa do mito o parto de Júpiter e o nascimento da virgem, transferindo (o assunto) ao estudo da fisiologia. }}
Ó mais glorioso dos imortais, deus de muitos nomes e sempre poderoso,
Zeus, senhor da natureza, que tudo governas com leis,
salve! Pois a todos os mortais é lícito falar-te.
Em ti está a nossa origem; a sorte de ser a imagem de um deus,
só a nós coube, entre tantos seres mortais que vivem e rastejam sobre a terra.
Por isso te entoarei um hino e cantarei sempre o teu poder.
A ti obedece todo este mundo que gira em torno da Terra,
por onde quer que o leves, e de boa mente te é submisso.
Seguras nas invictas mãos, como teu servidor,o raio incandescente e de dois gumes, sempre vivo.
Sob o seu impulso, caminha toda a obra da natureza:
com ele diriges a tua Palavra universal, que passa através de tudo,
misturando-se com o astro luminoso maior, e também com os menores.
Não se faz sobre a terra obra alguma sem ti, ó deus,
nem sobre o etéreo pólo divino, nem sobre o mar,
excepto os actos dos malvados na sua demência.
Mas tu sabes ajustar mesmo o que é discordante
e ordenar o que é caótico, e ódio em ti é amor.
E assim harmonizaste tudo o que é nobre com o que é vil, numa só unidade,
de modo a originar uma Palavra eterna de tudo,
a que fogem aqueles dos mortais que são inferiores,
insensatos, sempre a almejar a posse do bem,
sem verem nem atenderem à lei universal do deus,
em cuja obediência seriam connosco felizes.
São eles mesmos, insensatos, que se precipitam cada um para seu mal,
uns com uma pressa funesta de alcançar fama,
outros voltados para a ganância desordenada,
outro ainda para a licença e os doces prazeres físicos;
procedem sem pensar, arrastados de um lado para o outro,
apressando-se com vigor para que suceda o contrário dos teus desejos.
Mas ó Zeus remunerador de tudo, senhor das nuvens negras e do raio coruscante,
salva os homens da funesta ignorância,
sacode-a, ó pai, da sua alma, concede-lhes que obtenham
a sabedoria com cujo apoio tudo governas com justiça,
a fim de que, honrados, te correspondamos com honra,
cantando sem cessar as tuas obras, como cumpre
a um mortal, já que, nem para homens nem para deuses,
há maior honra do que celebrar sempre a tua lei universal.
( Hélade, 8ªedicao, Edições Asa, 2003.)
"a atribuição de epítetos ao deus endereçado pelo hino é comum é esperada, isso está de acordo com a doutrina estóica, que de fato considerava que Zeus tivesse muitos nomes, como diversos aspectos seus. Isso é o que o texto de DL 7.147 (= SVF 2.102; Ad SVF Cl.phys.theo10) relata, qualificando os distintos usos que os estóicos faziam do nome de deus. - Cf. Arist. Mund. 401a12,14; Corn.TGC 9.1-11.3. Cleantes de Assos, uma introdução com tradução e notas . Danilo Costa. Versão corrigida São Paulo 2020
Árato
"Arato é um escritor filo-estoico, cuja formação se deu em Atenas no Liceu e no Pórtico.Arato é um poeta em atividade na corte de Antígono, em Pela. Seu poema certamente foi lido na escola. Dionísio trânsfuga imita seu estilo (DL 7.166). Ambos os poemas encerram pontos de doutrina estoica: a tensão entre politeísmo e monoteísmo, resolvida com a noção de que Zeus é a divindade que comanda tudo e tem muitos aspectos234
Ambos os poemas, de formas diferentes, propõem a confluência em um único deus de todos os atributos e competências cosmológicos. Primeiramente, um deus que está em todas partes Há menção explícita aos sinais enviados por ele aos seres humanos, e há a noção, comum aos dois poemas, de que o homem pertence ao mesmo gênero de Zeus, “Τοῦ γὰρ καὶ γένος εἰμέν.” (Arat. v.5) versus “ἐκ σοῦ γὰρ γενόμεσθα” (SVF 1.537 v.4). Mais do que uma interlocução, tais elementos credenciam Arato como filo-estoico que exprime o conceito de deus da escola, ainda que sem o vocabulário heraclitiano de Cleantes, ...." Cleantes de Assos, uma introdução com tradução e notas . Danilo Costa. Versão corrigida São Paulo 2020
"Por Zeus principiemos , a quem os mortais nunca deixamos inominado .
Providas de Zeus estão todas as vias e todos os humanos rossios, providos também mar e portos ; em todas as horas, Zeus demandamos todos.
Pois somos também sua progênie .
Ele paternal aos homens dá sinais direitos, para o trabalho alevanta as gentes lembrando-lhes do pão, conta quando o torrão está nas melhores horas para bois e arados, conta quando são as estações direitas tanto para se fincarem mudas quanto para as sementes todas se lançarem à terra.
Ele mesmo, pois, os sinais firmou no céu , separando-os em constelações, e previu para a passagem anual estrelas que para os homens dessem sinais das estações sobremaneira (Hino a Zeus- Fenômenos- Arato)
Comparação do Hino de Cleantes e Árato
"Por Zeus comecemos, que os homens nunca deixamos inominado. Providos de Zeus todos os caminhos e estão todos os foros humanos, e provido é o mar e portos; a todo momento, Zeus demandamos todos. (...) Com efeito, ele firmou os sinais no céu separando constelações, previu para a passagem anual estrelas, e as mais fornidas sinalizassem aos homens as estações, de modo que tudo cresça como de raízes. Por isso a ele sempre ofertamos do princípio ao fim." (Fenômenos, v. 1-4; 10-14 Árato) Cleantes de Assos, uma introdução com tradução e notas . Danilo Costa. Versão corrigida São Paulo 2020
Gloriosíssimo entre os imortais, de muitos nomes, onipotente sempre (...) Por isso te comporei um hino e tua potência sempre canto. (...) Nenhuma obra acontece sobre a terra sem ti, nume, /Nem na esfera celestial divina, nem no oceano,(...) Todavia tu tens a ciência de os ímpares arrumar em pares /E ordenar o desordenado, e o não amado para ti é amado/ Pois assim harmonizaste tudo no Uno, (...)/ De modo que a razão una e sempiterna de tudo vem a ser,/ Dela fugindo a abandonam, quantos são os maus entre os mortais, /Malfadados, eles almejam sempre a aquisição de bens, /E não enxergam a lei comum de deus, nem a escutam, /Se a obedecessem, teriam uma vida boa, com inteligência. (Hino a Zeus, v. 1, 6, 15-16, 18-25)... Cleantes de Assos, uma introdução com tradução e notas . Danilo Costa. Versão corrigida São Paulo 2020
Ambos os poemas, de formas diferentes, propõem a confluência em um único deus de todos os atributos e competências cosmológicos. Primeiramente, um deus que está em todas partes Há menção explícita aos sinais enviados por ele aos seres humanos, e há a noção, comum aos dois poemas, de que o homem pertence ao mesmo gênero de Zeus, “Τοῦ γὰρ καὶ γένος εἰμέν.” (Arat. v.5) versus “ἐκ σοῦ γὰρ γενόμεσθα” (SVF 1.537 v.4) Cleantes de Assos, uma introdução com tradução e notas . Danilo Costa. Versão corrigida São Paulo 2020
Thom reconhece dois tipos de oração consistente com o sistema estóico: (1) uma ação de graças pelo benefício divino, e (2) uma oração “para afirmar a submissão da pessoa sábia ao vontade divina”, conforme encontrado na Oração do próprio Cleantes a Zeus e Destino (SVF 1.527). (26) Thom, no entanto, afirma que o resultado final oração do Hino representa um terceiro tipo, que enfatiza o teísta sobre os aspectos panteístas do Hino: “a oração . . . pertence a um terceiro tipo, ou seja, uma oração petitória com um pedido a Deus para ajudar os seres humanos a superar sua falta de insight e a concomitante falha em fazer a moral correta escolhas. Nesse caso, Cleanthes se volta para uma força superior, fora dele mesmo, para ajudar. Há uma sensação de que o deus imanente é idêntico ao cosmos, de uma forma que transcende o racional elemento dentro dos seres humanos, e assim ele é capaz de vir até eles em assistência. J.C. THOM, Cleanthes’ Hymn to Zeus. Text, Translation, and Commentary. (Studien und Texte zu Antike und Christentum 33), Tübingen: Mohr Siebeck, 2005, 207pp., ISBN 3-16-148660-9. ALBERT WATANABE - Louisiana State University - awatan@lsu.edu
Essa impressão de Zeus é fortalecida pelo tradicional, caráter não técnico do Hino. Pouca terminologia técnica é usada que seja demonstrável Estóico. Existem apenas dois termos estóicos, a saber, o 'universal razão' (kosmos logos) no v. 12, e a 'lei universal' (kosmos nomos v6~ov) nos vv. 24 e 39 (as outras ocorrências de logos e nomos nos vv. 2 e 21 não precisam ser interpretado em um sentido estóico). Além disso, há apenas uma frase que é reconhecidamente estóica, ou seja, a qualificação da razão universal no vv. 12- 13 como 'permeando tudo' (dia panton fonta). Isso não significa, claro , que o hino é desprovido de quaisquer outras ideias estóicas, mas poderia ser entendido sem conhecimento especializado do estoicismo. Muito no poema pode de fato ser interpretado em dois níveis diferentes, como material tradicional, ou como uma expressão do pensamento estóico. Vejamos alguns dos mais relevantes exemplos....
Em termos da lógica de um sistema panteísta estrito, um estóico deveria não precisa rezar: tem acesso direto a Deus dentro de si, já que sua a razão participa do logos divino. Por meio de sua razão, ele participa da divino e não necessita de nada fora de si mesmo, fato que contribui à auto-suficiência do sábio estóico. O fato de que Deus é identificado com o destino, além disso, parece impedir a oração, pois como pode a oração mudar isso? que é predeterminado pela própria estrutura do mundo? Na prática, no entanto, as posições estóicas sobre a oração são muito mais diversas e até contraditórias. Nas palavras de Marcel Simon, 'a oração estóica é um paradoxo, mas uma realidade'.54 Sêneca e Cleantes são algumas vezes citados como representantes de uma uma abordagem 'estrita' e 'mais liberal' da oração,55 mas mesmo Sêneca às vezes é bastante positivo sobre o valor da oração. 56
DOING JUSTICE TO ZEUS: ON TEXTS AND COMMENTARIES. Johan C. Thorn. University of Stellenbosch.
Oração a Deus e ao destino de Cleantes, citado por Epicteto
Paulo citando a poesia estoica:
- Os idólatras que eram politeístas
Os epicureus que acreditavam que os deuses existiam mas não se relacionavam com o mundo, alé disso eram aniquilacionistas e não acreditavam a ressurrreição do corpo. Acreditavam no acaso
Os estóicos eram panteístas e engavam a transcendência
Paulo cita uma poesia estoica o que contradiz as crenças politeístas e epicuristas
18 E alguns dos filósofos epicureus e estóicos contendiam com ele, havendo quem perguntasse: Que quer dizer esse tagarela? E outros: Parece pregador de estranhos deuses; pois pregava a Jesus e a ressurreição.
19 Então, tomando-o consigo, o levaram ao Areópago, dizendo: Poderemos saber que nova doutrina é essa que ensinas?
20 Posto que nos trazes aos ouvidos coisas estranhas, queremos saber o que vem a ser isso.
21 Pois todos os de Atenas e os estrangeiros residentes de outra coisa não cuidavam senão dizer ou ouvir as últimas novidades.
22 Então, Paulo, levantando-se no meio do Areópago, disse: Senhores atenienses! Em tudo vos vejo acentuadamente religiosos;
23 porque, passando e observando os objetos de vosso culto, encontrei também um altar no qual está inscrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Pois esse que adorais sem conhecer é precisamente aquele que eu vos anuncio.
24 O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas.
25 Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais;
26 de um só fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação;
27 para buscarem a Deus se, porventura, tateando, o possam achar, bem que não está longe de cada um de nós;
28 pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos, como alguns dos vossos poetas têm dito: Porque dele também somos geração.
29 Sendo, pois, geração de Deus, não devemos pensar que a divindade é semelhante ao ouro, à prata ou à pedra, trabalhados pela arte e imaginação do homem.
30 Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam;
31 porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos.
32 ¶ Quando ouviram falar de ressurreição de mortos, uns escarneceram, e outros disseram: A respeito disso te ouviremos noutra ocasião.
33 A essa altura, Paulo se retirou do meio deles.
34 Houve, porém, alguns homens que se agregaram a ele e creram; entre eles estava Dionísio, o areopagita, uma mulher chamada Dâmaris e, com eles, outros mais.
1 ¶ Depois disto, deixando Paulo Atenas, partiu para Corinto.
"Os estóicos, assim chamados da Stoa Pæcile em Atenas, onde Zenão de Citium, o fundador da escola, 340–260 aC, conheceu seus alunos e onde seus sucessores debateram , falavam em sua teologia de uma providência governando o mundo, de uma causa primeira e de uma mente governante. Mas seu credo era essencialmente panteísta, embora os versos do Hino de Cleanto (“o documento mais importante da teologia estóica”, Ueberweg) parecessem exalar os sotaques de uma crença mais elevada e nobre. Mas nenhuma frase devocional poderia disfarçar um panteísmo que considerava o mundo como o corpo de Deus, e Deus como a alma do mundo, e que sustentava que, além da natureza externa, o Deus Supremo não tinha existência, ele era identificado com o destino e a necessidade, enquanto o a história do universo foi uma desdobramento da providência de Deus, mas uma providência que era apenas outro nome para a cadeia de causalidade e consequências, inviolável, eterna.
...Ao se dirigir a uma audiência composta em todos os eventos em parte pelos representantes dessas duas grandes escolas filosóficas, pode-se dizer que São Paulo não esqueceu seu próprio treinamento anterior no lar primitivo do estoicismo (ver na p. 235). E assim, ao falar da criação e da providência, da unidade das nações no reconhecimento de tudo o que era verdadeiro mesmo no panteísmo, São Paulo foi descrito como tomando o lado estóico contra os epicuristas, ou pelo menos podemos dizer que ele em seu discurso afirma contra alguns dos erros cardeais dos epicuristas o poder criativo e superintendente de Deus Expositor's Greek Testament
O texto bíblico combate as doutrinas estoicas ao falar de :
- Um Deus pessoal
- Um Deus que criou o Universo e é distinto dele
- Um Deus que criou o homem e é distinto dele. Ou seja, somos geração no sentido de sermos criaturas e não no sentido de sermos da mesma substãncia ou essencia como no estoicismo
- Um Deus que exige arrependimento
- Um Deus que julgará o homem e que portanto haverá outra vida
- Um Deus enviou um homem como mensageiro, foi morto e ressuscitou
A criação do homem segundo a mitologia grega
versão 1: A criação partiu dos deuses.
A criação do homem segundo Protágoras de Platão:
320d - Era uma vez... Existiam somente os deuses e não havia ainda as raças mortais. Quando chegou, então, o momento destinado a o seu nascimento, os deuses modelaram-nas, no interior da terra, misturando terra e fogo e os elementos que com estes se combinam. Quando estavam prontas para ser conduzidas para a luz do dia, os deuses encarregaram Prometeu e Epimeteu de as organizar e de atribuir a cada uma capacidades que as distinguissem. Epimeteu pediu, então, a Prometeu que o deixasse fazer essa distribuição. «Depois de eu a ter feito», disse, «tu passas-lhes uma revista». 320e E assim, depois de o ter convencido, começou: atribuiu força aos que não tornara rápidos e dotou com rapidez os mais fracos; armou uns e para aqueles a quem dera uma natureza sem armas inventou qualquer outro meio que assegurasse a sua sobrevivência; àqueles que contemplou com a pequenez, deu-lhes a possibilidade de fugirem voando ou uma habitação subterrânea, e aos que fez grandes em tamanho salvou-os com essa mesma atribuição.
321 De modo igualmente equilibrado distribuiu também as restantes qualidades. E fez tudo com cautela, para que nenhuma espécie se extinguisse. Depois de lhes dar os meios necessários para que não se destruíssem uns aos outros, arranjou maneira de os proteger contra as estações enviadas por Zeus, cobrindo-os com pêlos abundantes e carapaças grossas, suficientes para se defenderem do inverno e eficazes para o fazerem do sol escaldante, e que constituem, para cada um, o seu aconchego natural, quando decidem deitar-se.
321b Calçou uns com cascos e outros com couro grosso e sem sangue. Em seguida, providenciou diferentes alimentos para as diferentes espécies: para uns, os pastos da terra; para outros, ainda, os frutos das árvores; para os restantes, raízes. A alguns destinou que fossem alimento de outras espécies; a estas últimas deu pequenas ninhadas, enquanto que às que lhe servem de alimento deu a fecundidade, providenciando assim a salvação da sua espécie.
321c Deste modo, Epimeteu — que não era lá muito esperto — esqueceu-se que gastara todas as qualidades com os animais irracionais; fora desta organização, restava-lhe ainda a raça dos homens e sentia-se embaraçado quanto ao que fazer. Estava ele nesta aflição, chega Prometeu para inspeccionar a distribuição e vê que, enquanto as 18 outras espécies estão convenientemente providas de tudo quanto necessitam, o homem está nu, descalço, sem abrigo e sem defesa. E já estava próximo o dia marcado, em que era preciso que também o homem saísse do interior da terra para a luz do dia.
321d Sem encontrar qualquer outra solução para assegurar a sobrevivência do homem, Prometeu, roubou a sabedoria artística de Hefesto e Atena, juntamente com o fogo — porque sem o fogo era-lhe impossível possuí-la ou torná-la útil — e, assim, ofereceu-a ao homem. Com ela, este tomou posse da arte da vida, mas não da arte de gerir a cidade, pois esta estava junto do próprio Zeus. Já não fora possível a Prometeu entrar na morada de Zeus, na acrópole — para mais que os guardas de Zeus eram terríveis —, mas entrara, sem ser visto, na sala partilhada por Hefesto e Atena,
321e na qual ambos se dedicavam às suas artes, e roubara a arte do fogo a Hefesto e as outras artes a Atena, para as dar ao homem, que delas retirou os meios necessários à vida.
322 Mas, no fim, por culpa de Epimeteu — é o que dizem — a justiça perseguiu Prometeu por causa deste roubo. Deste modo, o homem participava da herança divina e, devido ao parentesco com os deuses, foi o único dos animais a acreditar neles. Assim, começou a construir altares e imagens suas. Depois, rapidamente dominou a arte dos sons e das palavras e descobriu casas, vestuário, calçado, abrigos e os alimentos vindos da terra.
322b Assim providos, inicialmente, os homens viviam dispersos e não havia cidades. Mas viam-se destruídos pelos animais selvagens, pois eram mais fracos que eles em todos os sentidos. A arte que dominavam era lhes suficiente na procura dos alimentos, mas ineficaz na luta com as feras — com efeito, faltava-lhes a arte de gerir a cidade, da qual faz parte a arte da guerra. Procuraram, então, associar-se e proteger-se, fundando cidades. Só que, ao associar-se, tratavam-se injustamente uns aos outros, já que não possuíam a arte de gerir a cidade. De modo que, novamente dispersos, se iam destruindo...
322c Zeus, então, inquieto, não fosse a nossa espécie desaparecer de todo, ordenou a Hermes que levasse aos homens respeito e justiça, para que houvesse na cidade ordem e laços que suscitassem a amizade. Hermes perguntou a Zeus de que modo haveria de dar aos homens justiça e respeito: «Distribuo-os do mesmo modo que, no início, foram distribuídas as outras capacidades? As outras ficaram assim repartidas: um médico é suficiente para muitos leigos e o mesmo acontece com os outros especialistas. Atribuo, também, justiça e respeito aos homens deste modo, ou distribuo-os por todos?»
322d «Por todos — respondeu Zeus — e que todos partilhem desses predicados, porque não haverá cidades, se somente uns poucos partilharem deles, como o fazem dos outros. Estabelece, pois, em meu nome, uma lei que extermine, como se se tratasse de uma peste para a cidade, todo aquele que não for capaz de partilhar de respeito e de justiça.» Deste modo e por este motivo, Sócrates, quer os outros povos quer os Atenienses, quando o discurso é na área da arte da carpintaria ou de outra qualquer especialidade, consideram que só a alguns compete uma opinião.
322e E se alguém, fora desses poucos, se pronuncia, não aceitam, tal como tu dizes — e com muita razão, repito eu —; porém, quando procuram uma opinião a propósito da arte de gerir a cidade,
323 em que é preciso proceder com toda a justiça e sensatez, com razão a aceitam de qualquer homem, pois a qualquer um pertence partilhar efectivamente desta arte ou não haverá cidades. Neste facto reside, Sócrates, a razão do que perguntas. Mas, para que não consideres que te estás a iludir, pensando que é por ser assim que todas as pessoas crêem que qualquer homem partilha quer da justiça quer das restantes qualidades políticas, " Protágoras- Platão
Versão 2: A criação do homem segundo Hesíodo- "Os trabalhos e os dias"
O homem atual seria criado por Zeus segundo fica subentendido:
"O mito das cinco raças.
Mas se queres te farei em resumo outro relato, bem e habilmente narrado, e tu coloca-o no teu espírito: como nasceram da mesma fonte os deuses e os humanos perecíveis.14 Primeira de todas entre os humanos de fala articulada, fizeram os imortais que têm moradas olímpias uma raça de ouro. (110)
Eles existiram no tempo de Crono, quando este reinava no céu; como deuses viviam, o coração sem cuidados, sem contato com sofrimento e miséria. Em nada a débil velhice estava presente, mas, sempre iguais quanto aos pés e às mãos, alegravam-se em festins, fora de todos os males, (115)
e morriam como que vencidos pelo sono. Tudo o que é bom possuíam: a terra fecunda produzia seu fruto espontaneamente, muito e de bom grado. Eles, voluntária e tranquilamente repartiam os
trabalhos,15 tendo bens abundantes. {Ricos em rebanhos, eram queridos dos deuses (120)
bem-aventurados.} Mas desde que a terra encobriu essa raça, eles são divindades pela vontade de Zeus grande, nobres, terrestres, guardiões dos humanos perecíveis;
{eles vigiam as sentenças e as cruéis ações, vestidos de bruma, vagando por toda a terra,}
distribuidores de riquezas: obtiveram esse privilégio de reis. Então uma segunda raça, e muito pior,
depois fizeram os que têm moradas olímpias, a de prata, (125)
que não se assemelhava à de ouro nem em corpo nem em pensamento. Mas o filho junto à mãe querida por cem anos era nutrido, um grande tolo brincando em sua casa ( 130)
Mas quando tornavam-se adolescentes e alcançavam a flor da idade, viviam por pouco tempo, padecendo dores com sua insensatez, pois não podiam conter uma presunçosa insolência uns para com os outros, nem queriam servir aos imortais (135)
nem sacrificar nos santos altares dos bem-aventurados, como é justo para os humanos, conforme os costumes. Depois Zeus filho de Crono, encolerizado, escondeu-os, porque não honravam os deuses bem-aventurados que habitam o Olimpo. Mas desde que a terra encobriu também essa raça, (140)
eles são chamados bem-aventurados mortais subterrâneos, secundários, mas de qualquer modo também acompanhados de honra. E Zeus pai uma outra raça de humanos de fala articulada, a terceira, de bronze fez, em nada igual à de prata, mas nascida de freixos, terrível e vigorosa; 145)
eles se ocupavam dos funestos trabalhos de Ares e de violências, e trigo não comiam, mas tinham um coração impetuoso, de aço. Eram toscos; grande força física e braços invencíveis cresciam de seus ombros sobre um corpo robusto. Suas armas eram de bronze, de bronze suas casas, (150)
trabalhavam com bronze: negro ferro não existia. Vencidos por suas próprias mãos, desceram à mansão bolorenta do gélido Hades, anônimos: também a eles, embora espantosos, a morte negra os conquistou, e deixaram a esplendente luz do sol. (155)
Mas quando a terra encobriu também essa raça, de novo ainda outra, a quarta sobre a terra que muitos nutre, Zeus filho de Crono fez, mais justa e valorosa, a raça divina dos homens heróis, que são chamados semideuses, a geração anterior à nossa na terra imensurável.(160)
Esses, destruíram-nos a guerra má e o combate medonho, uns sob as muralhas de Tebas de sete portas, terra de Cadmo, quando lutavam pelos rebanhos de Édipo; outros, levando-os em naus sobre o grande abismo do mar, para Troia, por causa de Helena de coma adorável.(165)
Lá o termo da morte envolveu, sim, alguns deles; a outros, conferindo-lhes vida e moradia à parte dos humanos, Zeus pai, filho de Crono, estabeleceu-os nos limites da terra (168) E eles, o coração sem cuidados, habitam as ilhas dos bem-aventurados, junto ao Oceano de fundos redemoinhos, (170) afortunados heróis, para quem um fruto doce como o mel, que floresce três vezes ao ano, a terra fecunda traz.
Longe dos imortais sobre eles reina Crono. (173a)
{Pois o próprio] pai de deuses e [homens] libertou[-o,(b)
e agora, já] com eles, tem honra, como [convém. (c)
Então Zeus] fez outra raça [de humanos de fala articulada, (d)
da daqueles que hoje] têm nascido sobre [a terra que muitos nutre.} (e)
Que eu não mais fizesse parte então da quinta raça de homens, mas tivesse morrido antes ou nascido depois. Pois a raça agora é bem a de ferro. Nem de dia terão pausa da fadiga e da miséria, nem à noite deixarão de se consumir: os deuses lhes darão duras preocupações. Mas mesmo para tais homens hão de se misturar bens aos males. Zeus destruirá também essa raça de humanos de fala articulada, quando acabarem nascendo já com as têmporas grisalhas. Nem o pai será concorde com os filhos, nem os filhos com o pai, nem hóspede com anfitrião, nem companheiro com companheiro; nem um irmão será querido, tal como era antes...
{ }indicam texto que se considera suspeito indicam texto não atestado em manuscritos, mas acrescentado pelo editor
[ ] indicam texto perdido no manuscrito; é reconstrução hipotética todo texto que estiver entre colchetes ou na direção do qual se abrir um colchete " Teogonia- A Origem dos Deuses
